sábado, 17 de abril de 2010

Madrugada de domingo...


Já passa da meia noite...

O sábado se foi...

É madrugada de domingo...


Abro a janela e recosto-me para apreciar o céu...

A calça de tecido velha e folgada...

E a surrada camiseta branca...

Não refletem desleixo...

Mas um singelo descaso...

Que só os solitários são capazes de ter...


Olho na direção do infinito...

E me deixo flutuar nos acordes da canção que toca no velho rádio de pilha...

Há muito não fazia isso...

(Preciso repetir mais vezes)...


É bom sentir a brisa passear pelo rosto...

Ver o lento passar das nuvens que se dirigem para o norte...

E contar e recontar as estrelas que piscam no firmamento...


Meus pensamentos voam...

Calmos e serenos...

Plenos de certeza que haverão de encontrar...

Nem que seja um único pensamento seu...



Fernando Amaral.

sábado, 10 de abril de 2010

Assim, chegamos ao fim...

Arte Digital: Fernando Amaral

Fica comigo...


Fica comigo, não só hoje, amanhã e depois...

Fica comigo, por todo o tempo que ainda nos resta...

Pois sinto sua falta quando estou só, mas meu coração é uma festa quando te vejo chegar...

Fica comigo para que meus dias tenham sentido...

Para que minhas noites não sejam vazias...

E para que minha vida seja completa.


Fernando Amaral.



quarta-feira, 24 de março de 2010

Os lábios da mulher da mesa ao lado...

Arte Digital: Fernando Amaral

Poetas...

Poetas são loucos...

São poucos...

São boêmios...

Que vagueiam noite adentro...

Declamando versos ao vento...


Poetas são atirados...

Amam mesmo sem ser amados...

Navegam em rios de sonhos...

Pintam aquarelas no céu...

E esperam pelo amor que nunca terão.


Fernando Amaral.

domingo, 21 de março de 2010

Um alazão chamado Desejo...

Arte Digital: Fernando Amaral

Uma madrugada...

Experimentei o novo...


Percorri e descobri caminhos...


Soltei meus desejos e “meus bichos”...


E, me deixei levar...


Provei cada pedaço do teu corpo, toquei cada canto, senti teu cheiro se misturar ao meu.


Minha boca foi aventureira, decifrou todos os gostos que teu corpo pode proporcionar.


Minha língua foi sorrateira e atrevida, percorreu cada palmo, cada canto e recanto.


Lambi tua pele macia, suguei como menino faminto teus seios, teus mamilos.


Provei a tua boca, tua língua, percorri tua barriga, brinquei com teu umbigo e desci por teu púbis, me enrosquei em teus pelos, sorvi teu sexo úmido e quente, senti o tremor do seu corpo, o remexer saliente de tuas ancas e as contrações do teu gozo.


Teus gemidos eram música, tuas coxas serpentes a me envolver em um laço sem espaço onde só havia prazer.


Tuas costas, tuas nádegas, teu rego...


Minha boca incontida lambia e beijava com sofreguidão...


Sua boca em meu corpo, cada beijo era um mar de êxtase, meu sexo ardente quase explodia em tuas mãos.


Fui sugado, lambido, beijado até quase desfalecer...


Tua língua dançava em meu sexo num bailado depravado...


Teu olhar maroto me submetia aos desejosos da menina, da mulher.


Fomos um só...


Possuímo-nos de todas as formas, fomos amantes vorazes, insaciáveis...


Até que explodi num gozo quente, farto, caudaloso...


Deixei em você um pouco de mim e levei um pouco de você.


No fim, me abandonei no aconchego de um abraço, no carinho dos beijos, no arrepio dos toques e no som da sua respiração...


Fechei meus olhos e sonhei...


Fernando Amaral.



domingo, 14 de março de 2010

Flores para os que vão morrer...

Arte Digital: Fernando Amaral

Criança...

Vida cheia de vida...

Espalha tua alegria entre nós...

Cultiva teus sonhos...

Sorri teu sorriso aberto...

E voa sem medo esse vôo incerto...

O céu está escancarado a tua espera...

A vida te pertence...

O sol é teu...

A lua é tua...

E as estrelas são anjos que te guardam no firmamento...

Abre teu coração...

Ensina-nos o caminho da felicidade...

Do amar sem nada esperar...

Do gostar apenas por gostar...

Ensina-nos a brincar de novo...

Ensina-nos a ser o coelhinho da páscoa...

A nos lambuzar de chocolate...

Ensina-nos a alegria incontida de abrir a caixa da boneca preferida...

Ensina-nos a sermos simples...

A termos em quem amamos...

Por fim...

Enche nossa vida com tua vida...

Enche nossos ouvidos com tua voz...

Enche nosso peito com tua força...

Devolve-nos a criança que perdemos em algum lugar...


Fernando Amaral.



sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Late lament...

Arte Digital: Fernando Amaral

Um homem vazio...

A noite é abafada e quente...

O sono chega ao corpo cansado...

Depois de um dia repleto de afazeres prazerosos...

Praia, amigos, risos, conversas banais, sobre coisas banais...

Volta para casa, mas antes um lugar para saciar a fome...

Mais conversas...

Algumas lembranças dos velhos tempos, dos velhos amigos...

Até que alguém me olha e pergunta...

Você não se sente só?

Olho meu interlocutor e dou um longo trago no cigarro...

Preciso de tempo para pensar na resposta...

Diante do olhar insistente...

Respondo de forma displicente, que solidão é coisa de quem não gosta de si mesmo...

E mudo o rumo da conversa...

Por fim, estou em meu quarto, repleto de vazio...

Deito em minha cama, repleta de espaço...

O sono é minha saída...

Minha fuga e meu refúgio...

Gosto de mim mesmo...

Mas...

Então, me pergunto se ainda haverá alguém capaz de gostar de um homem que por medo sofrer, passou a gostar tanto de si mesmo, a ponto de não lembrar mais como é fechar os olhos e dormir, depois de um beijo, de um sorriso e de um suave suspirar.

Fernando Amaral.

Infancia...

Arte Digital: Fernando Amaral

Impossível crer..

É impossível crer que todas as injustiças sejam apenas insondáveis desígnios.

Fernando Amaral.

From here to hell... Part 1

Arte Digital: Fernando Amaral

Estrela distante...

Hoje acordei pensando em você...

O sol ofuscava teu brilho de estrela...

Não me permitia te ver...

A melancolia tomou meu coração...

Ansiava pela escuridão

Foi um longo passar de horas...

E quando a noite por fim chegou...

Pude finalmente te ver...

Você lá estava...

Bela...

Distante...

Mas ao alcance do meu olhar...

Cerrei meus olhos e te mandei um beijo...

Beijo que se perdeu no espaço...

Que jamais tocou tua face...

Minha estrela distante...

Seu louco e errante poeta...

Nunca se cansa e como criança sonha te tocar...

Fernando Amaral.

From here to hell... Part 2

Arte Digital: Fernando Amaral

Nas asas do sonhar...

Nas asas do sonhar te alcancei...

Nas asas do sonhar te sobrevoei...

Nas asas do sonhar te desejei...

E quase pude te tocar...

E quase pude ver o brilho do teu olhar...

E quase pude te roubar um beijo...

Nas asas do sonhar tudo é possível...

Mas tem um defeito...

Qualquer barulhinho...

Abre as portas da realidade...

E nada é mais triste para o sonhador...

Que viver no mundo de verdade.

Fernando Amaral.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A honra é mais pesada que uma montanha e a morte, mas leve que uma pena...

Arte Digital: Fernando Amaral

No baú do inconsciente...

O tempo passou e estávamos nós...

Guardados no baú do inconsciente...

Amarelados pelo tempo...

Cobertos pela poeira da ausência, mas vivos, latentes...

Bastou um fino raio de luz pelas frestas da mente penetrar...

Bastou um suave sopro e a poeira se dissipou no ar...

Lentamente o sangue quente irrigou de esperanças nossas veias ressecadas...

Nossos corações pulsaram no mesmo ritmo...

Reavivamos o que um dia por descuido largamos entre tantos outros descuidos...

Reencontramos-nos nas voltas que a vida dá...

Tudo estava lá...

No baú do inconsciente...


Fernando Amaral.

Em nome da fé...

Arte Digital: Fernando Amaral

Amor virtual...

Nada espero...

Nada sonho...

Apenas semeio em teu coração, sementes lançadas no éter.

Nas longas noites não espero respostas...

Nas longas noites não faço apostas...

A tela é teu rosto...

O teclado é teu corpo por onde meus dedos deslizam ansiosos...

E quando o dia rasgar o véu negro da noite...

Despedirei-me e me recolherei...

Desejando que teu peito seja terra fértil, onde possam brotar as sementes lançadas no éter.

Fernando Amaral.